sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A Quem Interessar Possa

Não estarei mais escrevendo aqui. Agradeço aos poucos visitantes que marcaram presença e comentaram durante estes dois anos. Caso queiram manter contato, podem me seguir no Letterboxd.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Rapidinhas

O Demônio de Neon (Nicolas Winding Refn/2016): mais controlado no quesito carnificina do que o anterior Apenas Deus Perdoa, este thriller onírico pinta com sangue jovem e deslumbrante o mundo (aqui literalmente) canibalizador da moda, onde a valorização da beleza superficial corresponde ao Santo Graal de garotas moralmente maleáveis que sonham com uma chance de estrelato. O pulso narrativo é mais sedado do que de costume em se tratando de Refn; alguns momentos surreais ecoam sensações que evocam desde 2001 até Além do Arco-Íris Vermelho. A iluminação hipnótica de Natasha Braier emula o ambiente de uma sofisticada casa de shows noturna. 

Independence Day: O Ressurgimento (Roland Emmerich/2016): continuação tardia e, como era de esperar tendo em vista a assinatura de Emmerich, bastante boba. O interminável festival de piadinhas infames, marca registrada do "autor" (que, coitado, deve se julgar em pleno domínio da comédia), marca presença de novo, decerto com a intenção populista de divertir o público a cada instante, ou pior, aliviar a tensão. Um erro de cálculo, pois nenhuma cena de ação ou suspense preserva o impacto do original. O excesso de personagens novos, nenhum interessante, prejudica o foco da história, o que é estranho, pois ID4 também tinha um elenco numeroso. Uma oportunidade desperdiçada. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

FÚRIA ABRASADORA (André De Toth/1947)

Sinopse: Mulher perde noivo em meio a uma guerra entre fazendeiros, mas herda seu rancho e resolver enfrentar os donos de gado da região.

Os mocinhos do filme navegam por águas moralmente caudalosas: jogam sujo contra o adversário, rebaixando-se ao nível dele, levando à morte de inocentes como efeito colateral; a suposta "dama em perigo" (Veronica Lake) não hesita em seduzir os aliados para obter o que deseja, dispondo-se a burlar a lei e enganar seu braço direito (Joel McCrea). A torpeza (evidente) e a sexualidade (sugerida) a pairar sobre as maquinações da trama fazem com que Ramrod volta e meia ganhe o rótulo de híbrido western-noir. Curioso notar que as melhores cenas de tiroteio ficam a cargo do carismático coadjuvante Don DeFore (que lembra o jovem Ben Johnson) em vez do pacífico McCrea. Difícil apontar um só plano que pareça desleixado, ou ostentatório: a encenação de De Toth prima pela elegância simplificada, tal qual a narrativa que vai direto ao ponto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dois de Stephen Frears

Ligações Perigosas (Stephen Frears/1988): poucas vezes o veneno das palavras e a duplicidade do comportamento foram tão deleitosos, devastadores - e belos. Frears e seu diretor de fotografia emolduram e iluminam um cruel jogo de manipulação dos sentimentos como se fosse uma obra de arte de séculos passados; o público entrega-se fascinado à precisão formal do filme, ao mesmo tempo em que cerra os dentes face ao teor turbulento e erótico do enredo. Os close-ups inquietantes de Glenn Close prefiguram aqueles com que Jonathan Demme imortalizou Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes

Florence - Quem É Essa Mulher? (Stephen Frears/2016): agradável dramédia biográfica, de uma leveza só, mas cujos prazeres não merecem ser subestimados. Pode-se questionar a adulação a um indivíduo sem talento, mas o filme sugere que o sonho de ser cantora, o esforço e a sinceridade do amor de Florence pela música é que fizeram por merecer o respeito das pessoas, não qualquer ambição imodesta a respeito da qualidade da sua voz. A despeito da presença de Streep, Hugh Grant chama a atenção no papel do marido dedicado, embora infiel, na atuação mais humanizada de um elenco afeito à caricatura cômica. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O INVENCÍVEL (Mark Robson/1949)

Sinopse: Boxeador atinge a fama passando por cima de outras pessoas e do próprio sindicato dos pugilistas. Mas seu grande desafio é provar para si e para os fãs, que ainda é melhor, apesar da idade.

Responsável por dar a primeira indicação ao Oscar para Kirk Douglas, este drama de boxe ganhou as telas dois anos depois de Corpo e Alma, também focado num jovem pobre cuja retidão de caráter é colocada à prova à medida que alcança o estrelato nos ringues. Apesar de ambos serem clássicos dignos de respeito, Mark Robson trabalha melhor com as imagens do que Robert Rossen - as tomadas de Douglas deformado e ensaguentado, em estado de euforia após uma partida crucial, ainda ignorante do quanto magoou o irmão aleijado e a esposa abandonada, pintam um eletrizante retrato de um vencedor derrotado. O roteiro de O Invencível convence, mesmo abrindo mão da sutileza ao apontar os efeitos deletérios da ganância no indivíduo, desenvolvendo personagens de carne e osso cuja humanidade ferida evita que sejam reduzidos a simples emissários de qualquer "tese". Excelente P&B de Franz Planer.