segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dois de Stephen Frears

Ligações Perigosas (Stephen Frears/1988): poucas vezes o veneno das palavras e a duplicidade do comportamento foram tão deleitosos, devastadores - e belos. Frears e seu diretor de fotografia emolduram e iluminam um cruel jogo de manipulação dos sentimentos como se fosse uma obra de arte de séculos passados; o público entrega-se fascinado à precisão formal do filme, ao mesmo tempo em que cerra os dentes face ao teor turbulento e erótico do enredo. Os close-ups inquietantes de Glenn Close prefiguram aqueles com que Jonathan Demme imortalizou Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes

Florence - Quem É Essa Mulher? (Stephen Frears/2016): agradável dramédia biográfica, de uma leveza só, mas cujos prazeres não merecem ser subestimados. Pode-se questionar a adulação a um indivíduo sem talento, mas o filme sugere que o sonho de ser cantora, o esforço e a sinceridade do amor de Florence pela música é que fizeram por merecer o respeito das pessoas, não qualquer ambição imodesta a respeito da qualidade da sua voz. A despeito da presença de Streep, Hugh Grant chama a atenção no papel do marido dedicado, embora infiel, na atuação mais humanizada de um elenco afeito à caricatura cômica. 

2 comentários:

  1. Os trabalhos de Frears são quase sempre interessantes.

    "Ligações Perigosas" é um belíssimo filme com um elenco afiado. No ano seguinte Milos Forman explorou a mesma história em "Valmont", mas este eu ainda não assisti.

    Este novo filme com Meryl Streep, a princípio a história não me chamou a atenção.

    Abraço

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    1. Também não vi o do Forman e, sinceramente, me sinto tão satisfeito com o do Frears que nem tenho vontade.

      Cumps.

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